Crise na Vila: Torcida do Santos explode em protesto contra Mattos e Teixeira
O clima de guerra foi declarado na Baixada Santista. Na noite deste domingo (15), horas antes da bola rolar para o decisivo confronto contra o Velo Clube pela última rodada da primeira fase do Campeonato Paulista de 2026-Crise na Vila: Torcida do Santos explode em protesto contra Mattos e Teixeira
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Foto: Ana Canhedo
Com narizes de palhaço, 'sacos de dinheiro' e cones com fotos de jogadores, 600 santistas cercam a Vila Belmiro e exigem saída da diretoria antes de jogo contra o Velo Clube.
a Vila Belmiro se tornou o epicentro de uma manifestação hostil. Cerca de 600 torcedores, atendendo ao chamado das principais organizadas, fecharam o cerco ao redor do estádio Urbano Caldeira, transformando a ansiedade pré-jogo em um ato de repúdio contra a alta cúpula do Peixe. Os alvos principais da fúria alvinegra têm nome e sobrenome: Marcelo Teixeira, presidente do clube, e Alexandre Mattos, o executivo de futebol.
Munidos de faixas, narizes de palhaço e adereços carregados de simbolismo, os torcedores não pouparam críticas à montagem do elenco para a temporada 2026, que, apesar de nomes de peso, flerta com o vexame no estadual.O protesto ganhou contornos teatrais e ácidos quando manifestantes exibiram sacos de lixo pretos estufados com dinheiro falso, uma alusão direta ao que consideram um desperdício de recursos em contratações duvidosas. O grito que ecoava nas ruas do entorno da Vila era claro e direto: “Mattos seu otário... Não sabe contratar vai para casa do c....”, entoavam os santistas, demonstrando que a paciência com o executivo, conhecido por suas movimentações agressivas no mercado, chegou ao fim.Outro canto que chamou a atenção das autoridades e da imprensa presente sugeria irregularidades na gestão do futebol: “Não é mole não, a Vila Belmiro tem esquema de montão”. A acusação, vinda das arquibancadas de concreto para o asfalto, reflete a desconfiança da torcida sobre a chegada de jogadores que pouco entregaram em campo, como o caso citado em faixas de atletas estrangeiros que tiveram passagens relâmpago e onerosas pelo clube.A criatividade do protesto também mirou o elenco atual. Cones de sinalização foram espalhados pela entrada do portão principal, cada um ostentando a foto de um jogador contestado. Nomes como Bilal Brahimi e outros reforços que não vingaram foram os 'homenageados' na intervenção visual, sinalizando que para a torcida, eles não passam de obstáculos estáticos em campo.A revolta, contudo, não nasce apenas de quem chegou, mas principalmente de quem partiu. A política de vendas da gestão Teixeira foi duramente criticada. Faixas com os dizeres “Vendendo joias, comprando ilusão” faziam referência direta ao êxodo recente dos Meninos da Vila. As saídas de JP Chermont, Lucas Meirelles, Jair e Souza (negociado com o Tottenham) foram citadas nominalmente como feridas abertas no planejamento esportivo.Para a torcida, o paradoxo é insustentável: o clube se desfaz de suas promessas da base para financiar um time de 'medalhões' que não entrega resultado. O cântico “Salário em dia e futebol de Série B” resumiu o sentimento de um torcedor que vê a folha salarial inflada por estrelas, mas assiste a um futebol pobre, que coloca o time em risco de não se classificar para o mata-mata do Paulistão.A segurança precisou ser reforçada drasticamente. Antes mesmo do início da concentração dos torcedores, cinco viaturas do Batalhão de Choque da Polícia Militar se posicionaram estrategicamente para blindar a entrada administrativa da Vila Belmiro. O clima tenso obrigou a delegação a entrar por um acesso alternativo, evitando o contato direto com a massa enfurecida que prometia: “Ei, você aí, acabo com a sua vida se o meu Santos cair”.
Dentro das quatro linhas, o cenário é de pressão absoluta para o técnico Juan Pablo Vojvoda. O Santos chega a esta última rodada precisando vencer o Velo Clube e torcer por uma combinação de resultados para avançar às quartas de final, uma situação humilhante para um clube que investiu pesado. Até o momento, o Peixe anunciou quatro reforços de impacto para 2026: Gabigol,Gabriel Menino, Rony e Moisés. No entanto, a química entre as contratações e o time ainda não aconteceu.Em uma tentativa de última hora para acalmar os ânimos e corrigir rotas, a diretoria agiu no mercado nas últimas horas. O clube fechou a contratação do meio-campista uruguaio Christian Oliva, ex-Nacional. A chegada de Oliva é vista como uma resposta à carência de combatividade no meio-campo, mas para os torcedores que protestam lá fora, pode ser apenas mais um nome em meio ao caos.Além do volante uruguaio, a diretoria santista corre contra o tempo em busca de mais um zagueiro, tentando estancar a sangria defensiva que tem custado pontos preciosos. O Santos encontra dificuldades no mercado: precisa se livrar de salários astronômicos de jogadores encostados para abrir espaço na folha, criando um gargalo que trava novas chegadas.Enquanto a bola não rola contra o Velo Clube, a mensagem das ruas é inequívoca. A lua de mel com a gestão Marcelo Teixeira acabou. O crédito de Alexandre Mattos zerou. O Santos entra em campo hoje não apenas jogando por três pontos, mas pela sobrevivência política de sua diretoria e pela paz de um ano que prometia ser de glórias, mas começa flertando com a crise.
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